Hoje procurando por um livro na minha vasta pilha de papeis, revistas e livros.
Encontrei uma pasta muito velha, da minha época de segundo grau.
Era a pasta de educação artística, toda organizadinha na primeira folha datava de 03 de março de 1997, a ano por si só já me traz milhares de recordações, de coisas extremamente dolorosas.
Foi o ano em que eu fui baleada e não mais poderia andar.
Essa data antecede esse fato, mas ao olhar um delicado urso de pelúcia que eu mesma havia desenhado no primeiro plástico da pasta sorri ali sozinha, pensei
- eu era feliz, uma menina feliz, apaixonada pela vida (eu ainda sou feliz, mas já não sou uma menina) aquele feliz era diferente soou inocente.
Encontrei varias cartas de amigas perdidas entre as lições de cores frias, cores quentes, letras bastões e uma entre elas me chamaram a atenção era uma folha de fichário coberta por um enorme coração flechado e dentro o nome de vários meninos, embaixo dele estava o nome da autora Cá (minha comadre alias) imediatamente me lembrei que eu também havia feito um coração daquele, revirei a pasta e não encontrei meu ‘meu coração’’ ,achei uma agenda diária (na minha época fazíamos agenda e passamos as pessoas que gostávamos para que elas escrevessem ,fizessem colagens, colocassem fotos, papeis de carta, etc. etc. a intenção era deixar a agenda bem lotada ate o fim do ano quanto maior e mais cheia de coisas mais status você teria)
A minha não era La grande coisa, tinha alguns recortes de revista, declarações de amizade eterna e a cada folha, eu via minha adolescência passando, decepções com garotos, novas amigas que sempre começavam escrevendo no pouco tempo que te conheço já te curtos pra caramba! (risos)
Trecho de musicas, confissões de paixonites, dia a dia, semana a semana, me lembrava exatamente de todos os momentos, os bons, os ruins, beijos roubados, beijos não dados, decepções, alegrias, todos eles e percebi que tudo aquilo estava de certa forma meio escondido na minha memória.
Alguma pessoa já não vê há muito tempo, mas com as lembranças revigoradas por aquelas paginas podia ver seus rostinhos adolescentes, e a cada vez mais me lembrava de coisas como fugir da escola (que era período integral) para ir dormir na grama quente do parque em frente à escola. Ou um tombo fenomenal na quadra de vôlei bem em frente do menino que eu gostava e de todos os seus amigos.
Eu percebo hoje que tantas coisas pequenas que foram acontecendo serviram não apenas para moldar meu caráter, me ensinar sobre as pessoas e o mundo,e sobre mim mesma... mas também pra perceber o quanto vamos mudando dia após dia, inconscientemente as vezes de um dia para o outro nos damos conta de como a vida age sobre nós.
De quanto cada coisinha nos muda ,é o tal do efeito borboleta ... Ela bate as asas lá na África e zap algo aqui acontece e muda tudo,ou tudo muda... sei La... e quem diz que não muda rsrsrs Ainda não sabe o que é crescer !!!
Oh Comadre... Verdade.... Sabe que eu também encontrei a minha pasta!!!
ResponderExcluirComo tudo passou tão rápido e não percebemos...Como era bom essa nossa "inocência" Queria poder reviver pelo menos mais um dia naquele ano...
Ah comadre!!!! Bons tempos hein...
ResponderExcluirEu tinha essas coisinhas na minha epoca, bons tempos aqueles!
ResponderExcluirBeeeijos